
RESUMO: Este artigo trata da relevância do mercado de Biometano no Brasil e aborda a importância dos Flares nas plantas de purificação de biogás.
A transição energética deixou de ser discurso e passou a ser necessidade estratégica. Em um cenário global cada vez mais pressionado por metas de descarbonização, o aproveitamento energético de resíduos orgânicos se consolida como uma das soluções mais eficientes para redução da pegada de carbono. Nesse contexto, o biogás e, principalmente, o biometano, ganham protagonismo no Brasil. Além de representar uma fonte renovável e local de energia, o biometano permite substituir diretamente combustíveis fósseis em aplicações industriais, geração elétrica, mobilidade e injeção em redes de gás natural. No entanto, para que esse processo seja seguro, confiável e ambientalmente correto, a disposição controlada dos gases e dos alívios da planta é tão importante quanto o próprio sistema de purificação — e é aí que os Flares de Biometano e Biogás desempenham papel crítico.
O crescimento das plantas de biometano no Brasil
O Brasil já conta com dezenas de plantas em operação ou em implantação, principalmente associadas a:
- Aterros sanitários
- Usinas sucroalcooleiras
- Estações de tratamento de esgoto (ETE)
- Agroindústrias (suinocultura, bovinocultura, etc)
Com uma matriz elétrica majoritariamente renovável e enorme disponibilidade de resíduos orgânicos, o país possui uma das maiores vocações mundiais para produção de biometano.
O avanço regulatório, incentivos estaduais e a busca por créditos de carbono aceleraram investimentos em sistemas de upgrade de biogás, exigindo projetos cada vez mais robustos, eficientes e alinhados às melhores práticas internacionais.
Do biogás ao biometano: o que muda?
O biogás bruto normalmente apresenta a seguinte composição típica:
- Metano (CH₄): 50 a 65%
- Dióxido de carbono (CO₂): 35 a 45%
- Vapor d’água
- H₂S, siloxanos e contaminantes
Já o biometano exige concentrações superiores a 95% de metano, com remoção quase total de CO₂, umidade e contaminantes. Para isso, são empregadas diferentes tecnologias de upgrade, cada uma com suas características operacionais.
Principais tecnologias de upgrade de biogás
Lavagem com água (Water Scrubbing)
Processo físico baseado na maior solubilidade do CO₂ e do H₂S na água. Muito utilizado no Brasil por sua robustez e simplicidade operacional.
PSA – Pressure Swing Adsorption
Utiliza adsorventes sólidos para separar os gases. Apresenta boa eficiência, mas requer controle rigoroso de umidade e contaminantes.
Membranas
Tecnologia compacta e modular, cada vez mais utilizada, porém sensível à qualidade do biogás de entrada.
Lavagem química (aminas)
Alta eficiência na remoção de CO₂, porém com maior complexidade operacional e custos associados a reagentes e regeneração.
Independentemente da tecnologia escolhida, todas as plantas de biometano geram correntes de rejeito, alívios operacionais e situações de emergência que exigem queima segura e controlada.
A importância dos Flares na produção de biometano
Mesmo em plantas bem projetadas, o biogás e o biometano não podem ser simplesmente liberados à atmosfera. O metano possui um potencial de aquecimento global cerca de 28 vezes maior que o CO₂, o que torna sua queima controlada essencial do ponto de vista ambiental e regulatório.
Os flares industriais são responsáveis por:
- Queima segura do biogás excedente
- Disposição dos gases durante partidas e paradas
- Alívio de pressão em situações anormais
- Atendimento a exigências ambientais e de licenciamento
- Redução efetiva da emissão de metano
Em sistemas de upgrade, o flare deixa de ser um “acessório” e passa a ser parte integrante da segurança e da confiabilidade da planta.
Tipos de flares aplicados a plantas de biogás e biometano

A escolha do flare depende da vazão, pressão, composição do gás e requisitos ambientais. Entre os mais utilizados estão:
- Flare enclausurado (enclosed flare)
Ideal para espaços reduzidos, alívios contínuos e previsíveis, restrições à radiação e visibilidade da chama, maior DRE (Destruction Removal Efficiency). - Flare aberto (open flare)
Solução robusta e econômica para grandes vazões e áreas remotas. - Flares HP / LP (alta / baixa pressão)
Projetado visando segregar as correntes de alívio da planta baseado nas pressões do coletor. Maiores eficiência, turndown e segurança operacional. - Sistemas híbridos
Visam abater correntes de diferentes pontos do processo conforme requisitos específicos..
Flare não é tudo igual: projeto faz a diferença
Um erro comum no mercado é tratar o flare como um equipamento genérico. Em plantas de biometano, o flare precisa ser projetado considerando:
- Variações de vazão e composição do gás
- Presença de CO₂, H₂S e umidade
- Normas ambientais e de segurança
- Integração com o sistema de controle da planta
- Disponibilidade operacional 24/7
É exatamente nesse ponto que a engenharia especializada faz a diferença.
KSR: engenharia e flares industriais para biogás e biometano
A KSR Eng. e Equipamentos Industriais Ltda. atua, com tecnologia própria, no desenvolvimento e fornecimento de flares industriais, queimadores de biogás e sistemas de queima segura, atendendo projetos de:
- Plantas de biogás
- Sistemas de upgrade para biometano
- Aterros sanitários e ETEs
- Aplicações industriais e ambientais
Com soluções sob medida, a KSR entrega segurança operacional, conformidade ambiental e confiabilidade, desde pequenas vazões até sistemas industriais de maior porte.
Conclusão
A produção de biometano é uma realidade crescente no Brasil e representa um passo decisivo rumo a uma matriz energética mais limpa. Porém, não existe planta sustentável sem um sistema seguro de disposição de correntes de alívio de gases.
Seja para partidas, paradas, emergências ou excedentes operacionais, o flare é um elemento essencial para garantir desempenho ambiental, segurança e credibilidade do projeto.
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